quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ALUNA DO 1º PERÍODO DO CURSO DE LETRAS - MANHÃ, ANA PAULA, CRIA UM CANAL DE HUMOR NO YOUTUBE

Com uma frase que já virou bordão: "COM TODO RESPEITO", Ana Paula Machado, aluna do primeiro período do Curso de Letras - Português/Inglês, manhã, acaba de criar um canal no youtube no qual, com muito humor e irreverência, aborda as manias, os costumes e diversos aspectos da vida pós-moderna.
Os dois primeiros vídeos: "Tutorial para as festas de fim de ano" e "Rede social não é muro das lamentações", já estão fazendo o maior sucesso. Confira os vídeos nos links a seguir.

https://www.youtube.com/channel/UCZtyEyyb0hKs97yhwK8cPqQ 

https://www.youtube.com/watch?v=m1Sm3J10HTI&t=7s






PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO XX FÓRUM DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA - IV SEMINÁRIO INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA - II ENCONTRO DE EMPREENDEDORISMO, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

FEUC
4 h
PROGRAMAÇÃO 2017
EVENTOS INTEGRADOS – FÓRUM DE EDUCAÇÃO (MANHÃ)

07:30 – 8:00
Credenciamento
Local: Corredor principal do auditório FEUC
08:00 – 08:10
Abertura Institucional
Local: Auditório FEUC
08:10 – 10:00
OPÇÃO 1: Acolhimento dos estudantes visitantes (Apresentação das FIC, Palestras e sorteio de bolsas)
Local: Auditório FEUC
OPÇÃO 2: Lançamento do volume 04 (número 05) da KHÓRA: Revista Transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia seguida de palestra.
Local: SALA A301
10:00 – 12:00 (OFICINAS)
OPÇÃO 1: Viagens através da contação de histórias
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 2: Contação de História – Obax
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 3: Contação de História: O tambor do mestre Zizinho
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 4: Contação de História: A árvore dos desejos
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco D (fundos das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 5: Exibição de Artefatos Pedagógicos produzidos em atividades com os anos iniciais
PIBID – Subprojeto Pedagogia
Local: Pátio do Bloco B (em frente à secretaria do CAEL)
30 vagas
OPÇÃO 6: Oficina para confecção da boneca Abayone
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
40 vagas
OPÇÃO 7: Peça teatral “Bullying e o racismo nosso de cada dia”
PIBID – Subprojeto Geografia
Local: Auditório FEUC
150 vagas
OPÇÃO 8: Jogos Matemáticos como metodologia de ensino
PIBID – Subprojeto Matemática
Local: Laboratório de Matemática (segundo andar | Bloco B)
30 vagas
OPÇÃO 9: O universo dos quadrinhos em sala de aula – técnicas de leitura e produção
PIBID – Subprojeto História
Local: Sala A301
80 vagas
OPÇÃO 10: Sacopã (re)existe: resgate da história e lutas quilombolas no Rio de Janeiro
PIBID – Subprojeto Geografia
Local: Sala A305 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 11: Produção de audiolivro: uma necessidade da escola inclusiva
* Observação: Para participar da atividade, você precisará estar com celular e ter acesso à internet.
PIBID – Subprojeto Português
Local: Sala A303
50 vagas
OPÇÃO 12: Montando oficinas de leitura: relatos sobre a mediação literária no Instituto de Educação Sarah Kubitschek
PIBID – Subprojeto Português
Local: Sala A311
50 vagas
OPÇÃO 13: Os 100 anos da Revolução Russa: da revolução burguesa à revolução socialista, da historiografia à sala de aula.
PIBID – Subprojeto História
Local: Sala A307 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 14: Curta-metragem produzido com os estudantes do Centro Interescolar Miécimo da Silva.
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Auditório CAEL
60 vagas
OPÇÃO 15: Esquete feita pelos estudantes do Centro Interescolar Miécimo da Silva
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
30 vagas
OPÇÃO 16: Diversidade sexual e ensino de sociologia: desafios e possibilidades
PIBID – Subprojeto Ciências Sociais
Local: Sala A313 e projetor
50 vagas
OPÇÃO 17: Roda de conversas – reflexos do subprojeto interdisciplinar de Literaturas afro-brasileiras no cotidiano de seus participantes
PIBID – Subprojeto Interdisciplinar
Local: Sala A 309 (já tem projetor)
PROGRAMAÇÃO 2017
EVENTOS INTEGRADOS – FÓRUM DE EDUCAÇÃO (NOITE)
18:00 – 18:30
Credenciamento
Local: Corredor de acesso ao Auditório FEUC
18:30 – 19:00
Exibição de Pôsteres Científicos
Local: Pátio do Bloco A (frente das faculdades)
19:00 – 19:10
Abertura Institucional – Professora Célia Neves
Local: Auditório FEUC
19:10 – 20:20
Palestra principal – “Educação como ato político: um balanço desses tempos sem Freire” (Professora Doutora Lana Claudia de Souza Fonseca – UFRRJ / CAPES)
Local: Auditório FEUC
20:30 – 21:50
OPÇÃO 1: Lançamento do volume 4 (Número 5) da Khóra: Revista Transdisciplinar dos cursos de Ciências Sociais, Geografia, História e Pedagogia – Professora Mestra Débora Rodrigues (FIC) e Palestra “A Pedagogia de Paulo Freire e a Educação Contemporânea: Uma análise Crítica” – Professor Especialista Jorge Adriham do Nascimento Moraes.
Local: Auditório FEUC
OPÇÃO 3: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto História) – Coordenação: Prof. Jayme Ribeiro
Mesa 1 – Avaliação em debate: uma experiência no Colégio Estadual Raja Gabaglia.
Mesa 2 – Imaginário estudantil sobre comunismo: uma experiência no Colégio Estadual Raja Gabaglia
Local: Sala A 301
OPÇÃO 4: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Ciências Sociais) – Coordenação Professores Mauro Lopes e Célia Neves
Mesa – O Ensino de Sociologia em construção
Local: Sala B 106 (uso de projetor)
OPÇÃO 5: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Interdisciplinar) – Coordenação Professora Janice Souza
Mesa 1 – As produções do PIBID Interdisciplinar: o blog como plataforma de expressão
Mesa 2: A Literatura Infantil Afro-Brasileira: A bonequinha Abayomi.
Mesa 3: Carta a um escritor sem infância
Local: Auditório CAEL
OPÇÃO 6: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Matemática) – Coordenação Professores Gabriela Barbosa e Alzir Marinhos
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Matemática na realidade pedagógica.
Local: Sala B206
OPÇÃO 7: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Português) – Coordenação professor Erivelto Reis
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Português na realidade pedagógica.
Local: Sala B204
OPÇÃO 8: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Pedagogia) – Coordenação Professoras Claudia Miranda e Luciana Alves
Mesa: Ações e impactos do subprojeto de Pedagogia na realidade pedagógica.
Local: Brinquedoteca (Laboratório do Curso de Pedagogia) – Uso de Projetor.
OPÇÃO 9: COMUNICAÇÕES PIBID (Subprojeto Geografia) – Coordenação Professores Rosilaine Araújo e Isaac Gayer
Mesa: O PIBID na Geografia: a tecnologia como ferramenta de inalienação do espaço geográfico
Local: Sala B210

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Artigo: "Ora, a lei... O que é a lei: o jeitinho e o pistolão flagrados na Literatura brasileira" - Professor Dr. João Cézar de Castro Rocha (UERJ) - Conto: "Suje-se Gordo", de Machado de Assis

O texto a seguir foi reproduzido em virtude da gentileza do autor em autorizar a publicação.
Dr. João Cézar (UERJ)

Eis o texto na íntegra:
Ora, a lei... o que é a lei?
O jeitinho e o pistolão flagrados na literatura brasileira
João Cezar de Castro Rocha
“Suje-se gordo” é um conto pouco comentado de Machado de Assis. Nele, o narrador recorda um caso enigmático, que lhe ocorreu ao participar de um júri. Conheceu então Lopes, “um dos jurados do Conselho”. Jurado inclemente com um réu “acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena”. O veredicto de Lopes vale por um estilo de vida: “Tudo por uma miséria, duzentos mil-réis! Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!”
O advogado de Aécio Neves esclareceu ao Supremo Tribunal Federal que o senador “não pode para fins processuais penais ser tratado como um funcionário público qualquer”. 
 Lopes tinha uma filosofia peculiar: “A ninguém cabia sujar-se por quatro patacas. Quer sujar-se? Suje-se gordo!” Máxima dos que se julgam acima da lei. Reformulo o provérbio: o que faz o ladrão não é a ocasião, porém a soma desviada. Digamos: aquém de dois milhões, sem dúvida culpado; além dessa quantia, por certo inimputável.
No romance de Manuel Antonio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias, as palavras empenho e favor são sinônimos inquietantes, antecipando o jeitinho e o pistolão, no vocabulário nosso de cada dia. Dois personagens se destacam: pai e filho, ambos Leonardo; o progenitor mais conhecido pela alcunha de Pataca, isto é, a pratinha que recebia para cumprir seu encargo de meirinho. Ou, pelo contrário, as patacas que recebia para se esquecer de notificar futuros réus... Personagem-sintoma! O ofício e o vício como duas faces da mesma moeda – literalmente. 
O Senado da República acabou de derrubar decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou Aécio Neves do exercício de seu mandato. Partidário laborioso da “lei de Lopes”, o senador mereceu dos pares os maiores elogios, inclusive pela proverbial prudência mineira. Na hora de escolher a pessoa que receberia a desinteressada ajuda do empresário reconhecido pelo invejável domínio do vernáculo, o senador foi solidário consigo próprio: “— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu”. 
Num instante de transe, quando as travessuras do Leonardo ameaçaram o destino do adorável malandro, sua comadre buscou o temível Major Vidigal, personagem do tempo de Dom João VI. Ela intercedeu a favor do afilhado, mas, para vender caro seu peixe, o major indagou com malícia: “— Bem sei, mas a lei?”. Rápida no gatilho, a mulher venceu o duelo com desassossego: “— Ora a lei... o que é a lei, se o Sr. major quiser?”. 
Ora, a lei... Afinal, se o Supremo Tribunal Federal deixa de ser a última palavra, a jurisprudência da comadre tornar-se-á cláusula pétrea. Pois é: tornar-se-á. Ou: já se tornou?
Em tempo: Fred se chama Frederico Pacheco de Medeiros. Ele é primo do senador Aécio Neves. 
Ainda: o querido Lopes também foi levado ao tribunal, suspeito de “um desvio de cento e dez contos de réis”. Foi absolvido – naturalmente. 
Em poucas palavras, todo um universo (atual): “Quer sujar-se? Suje-se gordo!”



Suje-se Gordo!
Machado de Assis



UMA NOITE, há muitos anos, passeava eu com um amigo no terraço do Teatro de São Pedro de Alcântara. Era entre o segundo e o terceiro ato da peça A Sentença ou o Tribunal do Júri. Só me ficou o título, e foi justamente o título que nos levou a falar da instituição e de um fato que nunca mais me esqueceu.

— Fui sempre contrário ao júri, — disse-me aquele amigo, — não pela instituição em si, que é liberal, mas porque me repugna condenar alguém, e por aquele preceito do Evangelho; "Não queirais julgar para que não sejais julgados". Não obstante, servi duas vezes. O tribunal era então no antigo Aljube, fim da Rua dos Ourives, princípio da Ladeira da Conceição.

Tal era o meu escrúpulo que, salvo dois, absolvi todos os réus. Com efeito, os crimes não me pareceram provados; um ou dois processos eram mal feitos. O primeiro réu que condenei, era um moço limpo, acusado de haver furtado certa quantia, não grande, antes pequena, com falsificação de um papel. Não negou o fato, nem podia fazê-lo, contestou que lhe coubesse a iniciativa ou inspiração do crime. Alguém, que não citava, foi que lhe lembrou esse modo de acudir a uma necessidade urgente; mas Deus, que via os corações, daria ao criminoso verdadeiro o merecido castigo. Disse isso sem ênfase, triste, a palavra surda, os olhos mortos, com tal palidez que metia pena; o promotor público achou nessa mesma cor do gesto a confissão do crime. Ao contrário, o defensor mostrou que o abatimento e a palidez significavam a lástima da inocência caluniada.

Poucas vezes terei assistido a debate tão brilhante. O discurso do promotor foi curto, mas forte, indignado, com um tom que parecia ódio, e não era. A defesa, além do talento do advogado, tinha a circunstância de ser a estréia dele na tribuna. Parentes, colegas e amigos esperavam o primeiro discurso do rapaz, e não perderam na espera. O discurso foi admirável, e teria salvo o réu, se ele pudesse ser salvo, mas o crime metia-se pelos olhos dentro. O advogado morreu dois anos depois, em 1865. Quem sabe o que se perdeu nele!  Eu, acredite, quando vejo morrer um moço de talento, sinto mais que quando morre um velho... Mas vamos ao que ia contando. Houve réplica do promotor e tréplica do defensor. O presidente do tribunal resumiu os debates, e, lidos os quesitos, foram entregues ao presidente do Conselho, que era eu.

Não digo o que se passou na sala secreta; além de ser secreto o que lá se passou, não interessa ao caso particular, que era melhor ficasse também calado, confesso. Contarei depressa; o terceiro ato não tarda.

Um dos jurados do Conselho, cheio de corpo e ruivo, parecia mais que ninguém convencido do delito e do delinqüente. O processo foi examinado, os quesitos lidos, e as respostas dadas (onze votos contra um); só o jurado ruivo estava quieto. No fim, como os votos assegurassem a condenação, ficou satisfeito, disse que seria um ato de fraqueza, ou coisa pior, a absolvição que lhe déssemos. Um dos jurados, certamente o que votara pela negativa, — proferiu algumas palavras de defesa do moço. O ruivo, — chamava-se Lopes, — replicou com aborrecimento:

— Como, senhor? Mas o crime do réu está mais que provado.

— Deixemos de debate, disse eu, e todos concordaram comigo.

— Não estou debatendo, estou defendendo o meu voto, continuou Lopes. O crime está mais que provado. O sujeito nega, porque todo o réu nega, mas o certo é que ele cometeu a falsidade, e que falsidade! Tudo por uma miséria, duzentos mil-réis! Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!

"Suje-se gordo!" Confesso-lhe que fiquei de boca aberta, não que entendesse a frase, ao contrário; nem a entendi nem a achei limpa, e foi por isso mesmo que fiquei de boca aberta. Afinal caminhei e bati à porta, abriram-nos, fui à mesa do juiz, dei as respostas do Conselho e o réu saiu condenado. O advogado apelou; se a sentença foi confirmada ou a apelação aceita, não sei; perdi o negócio de vista.

Quando saí do tribunal, vim pensando na frase do Lopes, e pareceu-me entendê-la. "Suje-se gordo!" era como se dissesse que o condenado era mais que ladrão, era um ladrão reles, um ladrão de nada. Achei esta explicação na esquina da Rua de São Pedro; vinha ainda pela dos Ourives. Cheguei a desandar um pouco, a ver se descobria o Lopes para lhe apertar a mão; nem sombra de Lopes. No dia seguinte, lendo nos jornais os nossos nomes, dei com o nome todo dele; não valia a pena procurá-lo, nem me ficou de cor. Assim são as páginas da vida, como dizia meu filho quando fazia versos, e acrescentava que as páginas vão passando umas sobre outras, esquecidas apenas lidas. Rimava assim, mas não me lembra a forma dos versos.

Em prosa disse-me ele, muito tempo depois, que eu não devia faltar ao júri, para o qual acabava de ser designado. Respondi-lhe que não compareceria, e citei o preceito evangélico; ele teimou, dizendo ser um dever de cidadão, um serviço gratuito, que ninguém que se prezasse podia negar ao seu país. Fui e julguei três processos.

Um destes era de um empregado do Banco do Trabalho Honrado, o caixa, acusado de um desvio de dinheiro. Ouvira falar no caso, que os jornais deram sem grande minúcia, e aliás eu lia pouco as notícias de crimes. O acusado apareceu e foi sentar-se no famoso banco dos réus, Era um homem magro e ruivo. Fitei-o bem, e estremeci; pareceu-me ver o meu colega daquele julgamento de anos antes. Não poderia reconhecê-lo logo por estar agora magro, mas era a mesma cor dos cabelos e das barbas, o mesmo ar, e por fim a mesma voz e o mesmo nome: Lopes.

— Como se chama? perguntou o presidente.

— Antônio do Carmo Ribeiro Lopes.

Já me não lembravam os três primeiros nomes, o quarto era o mesmo, e os outros sinais vieram confirmando as reminiscências; não me tardou reconhecer a pessoa exata daquele dia remoto. Digo-lhe aqui com verdade que todas essas circunstâncias me impediram de acompanhar atentamente o interrogatório, e muitas coisas me escaparam. Quando me dispus a ouvi-lo bem, estava quase no fim.  Lopes negava com firmeza tudo o que lhe era perguntado, ou respondia de maneira que trazia uma complicação ao processo. Circulava os olhos sem medo nem ansiedade; não sei até se com uma pontinha de riso nos cantos da boca.

Seguiu-se a leitura do processo. Era uma falsidade e um desvio de cento e dez contos de réis. Não lhe digo como se descobriu o crime nem o criminoso, por já ser tarde; a orquestra está afinando os instrumentos. O que lhe digo com certeza é que a leitura dos autos me impressionou muito, o inquérito, os documentos, a tentativa de fuga do caixa e uma série de circunstâncias agravantes; por fim o depoimento das testemunhas. Eu ouvia ler ou falar e olhava para o Lopes. Também ele ouvia, mas com o rosto alto, mirando o escrivão, o presidente, o teto e as pessoas que o iam julgar; entre elas eu. Quando olhou para mim não me reconheceu; fitou-me algum tempo e sorriu, como fazia aos outros.

Todos esses gestos do homem serviram à acusação e à defesa, tal como serviram, tempos antes, os gestos contrários do outro acusado. O promotor achou neles a revelação clara do cinismo, o advogado mostrou que só a inocência e a certeza da absolvição podiam trazer aquela paz de espírito.

Enquanto os dois oradores falavam, vim pensando na fatalidade de estar ali, no mesmo banco do outro, este homem que votara a condenação dele, e naturalmente repeti comigo o texto evangélico: "Não queirais julgar, para que não sejais julgados". Confesso-lhe que mais de uma vez me senti frio. Não é que eu mesmo viesse a cometer algum desvio de dinheiro, mas podia, em ocasião de raiva, matar alguém ou ser caluniado de desfalque. Aquele que julgava outrora, era agora julgado também.

Ao pé da palavra bíblica lembrou-me de repente a do mesmo Lopes: "Suje-se gordo!" Não imagina o sacudimento que me deu esta lembrança. Evoquei tudo o que contei agora, o discursinho que lhe ouvi na sala secreta, até àquelas palavras: "Suje-se gordo!" Vi que não era um ladrão reles, um ladrão de nada, sim de grande valor. O verbo é que definia duramente a ação. "Suje-se gordo!" Queria dizer que o homem não se devia levar a um ato daquela espécie sem a grossura da soma. A ninguém cabia sujar-se por quatro patacas. Quer sujar-se? Suje-se gordo!

Idéias e palavras iam assim rolando na minha cabeça, sem eu dar pelo resumo dos debates que o presidente do tribunal fazia. Tinha acabado, leu os quesitos e recolhemo-nos à sala secreta. Posso dizer-lhe aqui em particular que votei afirmativamente, tão certo me pareceu o desvio dos cento e dez contos. Havia, entre outros documentos, uma carta de Lopes que fazia evidente o crime. Mas parece que nem todos leram com os mesmos olhos que eu. Votaram comigo dois jurados. Nove negaram a criminalidade do Lopes, a sentença de absolvição foi lavrada e lida, e o acusado saiu para a rua. A diferença da votação era tamanha, que cheguei a duvidar comigo se teria acertado. Podia ser que não. Agora mesmo sinto uns repelões de consciência. Felizmente, se o Lopes não cometeu deveras o crime, não recebeu a pena do meu voto, e esta consideração acaba por me consolar do erro, mas os repelões voltam. O melhor de tudo é não julgar ninguém para não vir a ser julgado. Suje-se gordo! suje-se magro! suje-se como lhe parecer! o mais seguro é não julgar ninguém... Acabou a música, vamos para as nossas cadeiras.


Texto extraído do livro “Antologia do Humorismo e Sátira”, Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1957, pág. 98, uma seleção de R. Magalhães Júnior.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

PROJETO ENADE 2017 - CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DE PERFIL E DE COMPETÊNCIAS DOS (AS) CONCLUINTES - O QUE O ENADE ESPERA RECONHECER EM LETRAS - ESPANHOL

PORTARIA INEP Nº 505 DE 6 DE JUNHO DE 2017

Publicada no Diário Oficial de 8 de junho de 2017, Seção 1, pág. 39 A PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP), no uso de suas atribuições, tendo em vista a Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004; a Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, em sua atual redação; a Portaria Normativa nº 8, de 26 de abril de 2017, e considerando as definições estabelecidas pela Comissão Assessora de Área de Letras Português e Espanhol, nomeada pela Portaria nº 103, de 9 de fevereiro de 2017, resolve:

Art. 1º O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para atuação profissional e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento. Art. 

2º A prova do Enade 2017 será constituída pelo componente de Formação Geral, comum a todas as áreas, e pelo componente específico de cada área. Parágrafo único. O concluinte terá 04 (quatro) horas para resolver as questões de Formação Geral e do componente específico. 

Art. 3º As diretrizes para o componente de Formação Geral são publicadas em Portaria específica. Parágrafo único. A prova do Enade 2017 terá, no componente de Formação Geral, 10 (dez) questões, sendo 02 (duas) discursivas e 08 (oito) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de caso.


Art. 4º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de LetrasPortuguês e Espanhol - Licenciatura, terá como subsídio as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Letras, Resolução CNE/CES n° 18, de 13 de março de 2002, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, Resolução CNE/CP n° 1, de 18 de fevereiro de 2002, as normativas associadas às Diretrizes Curriculares Nacionais e a legislação profissional.

 §1º A prova do Enade 2017 terá, no componente específico da área de LetrasPortuguês e Espanhol - Licenciatura, 30 (trinta) questões, sendo 03 (três) discursivas e 27 (vinte e sete) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de caso. 

§2º As provas do Enade 2017, para as áreas que conferem diploma de Licenciatura, terão, em seu componente específico, 05 (cinco) questões de múltipla escolha referenciadas pela Portaria Enade 2017 da área de Pedagogia.


Art. 5º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Português e Espanhol - Licenciatura, tomará como referência do perfil do concluinte as seguintes características: 

I. comunicativo em diferentes contextos socioculturais; 

II. ciente da linguagem como fenômeno social, ideológico, político, histórico, cognitivo, educacional, cultural e intercultural; 

III. crítico e investigativo sobre as línguas portuguesa e espanhola e suas respectivas literaturas e metodologias de ensino; 

IV. consciente das variedades linguísticas e culturais e de suas implicações no processo de ensino e aprendizagem; 

V. consciente das diferenças socioculturais, a fim de contribuir para a superação de preconceitos linguísticos e de exclusões sociais e culturais: étnico-raciais, religiosas, gêneros, classes, diversidades sexuais, faixas geracionais e pessoas com necessidades especiais; 

VI. comprometido com a formação dos estudantes nos diferentes contextos de atuação, a partir de uma concepção crítica de ensino e dos processos de aprendizagem; 

VII. responsável pela sua formação profissional como processo contínuo, autônomo e permanente, à luz da dinâmica do mercado de trabalho e das inovações tecnológicas.


Art. 6º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Português e Espanhol - Licenciatura, avaliará se o concluinte desenvolveu, no processo de formação, competências para: 

I. usar as línguas portuguesa e espanhola em diferentes situações de comunicação; 

II. analisar diferentes linguagens, em especial a verbal, nas modalidades oral e escrita; 

III. analisar produtos de manifestações culturais e artísticas, especialmente as literárias; 

IV. interpretar e produzir textos, em língua portuguesa e espanhola, em diferentes modalidades e situações sociolinguísticas; 

V. reconhecer e analisar aspectos linguístico-discursivos que atuam na construção de sentidos no texto; 

VI. identificar diferentes processos de compreensão leitora e aplicá-los na prática docente; 

VII. aplicar conteúdos referentes a estudos linguísticos e literários na prática docente; 

VIII. aplicar, nas análises textuais, as teorias linguísticas e literárias; 

IX. empregar tecnologias da informação e da comunicação a serviço do ensino de língua portuguesa e língua espanhola; 

X. aplicar, na prática docente, metodologias de ensino de línguas e de literaturas adequadas aos diferentes contextos educacionais; 

XI. contrastar aspectos linguísticos da língua portuguesa e espanhola; 

XII. comparar aspectos da cultura brasileira, hispano-americana e espanhola.


Art. 7º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Português e Espanhol - Licenciatura, tomará como referencial conteúdos que contemplam: 

I. Aspectos linguísticos diacrônicos e sincrônicos; 

II. Aspectos fonológicos, morfológicos e sintáticos; 

III. Aspectos lexicais, semânticos, pragmáticos, estilísticos e discursivos; 

IV. Teorias de aquisição da linguagem oral e escrita; 

V. Teorias e correntes linguísticas; 

VI. Gêneros discursivos e tipologias textuais; 

VII. Conceitos de literatura e cultura; 

VIII. Texto, contexto e intertextualidade em estudos linguísticos e literários; 

IX. Especificidades da linguagem literária; 

X. Estudos literários e culturais em língua portuguesa e espanhola: correntes teóricas e períodos; 

XI. Inter-relações da literatura com outros sistemas culturais e semióticos; 

XII. Processos de aquisição, aprendizagem e ensino das línguas portuguesa e espanhola; 

XIII. Teorias e métodos de ensino de línguas; 

XIV. Teorias e métodos de ensino de literatura.




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PROJETO ENADE 2017 - CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DE PERFIL E DE COMPETÊNCIAS DOS (AS) CONCLUINTES - O QUE O ENADE ESPERA RECONHECER EM LETRAS - INGLÊS

PORTARIA INEP Nº 502 DE 6 DE JUNHO DE 2017 Publicada no Diário Oficial de 8 de junho de 2017, Seção 1, pág. 38 A PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP), no uso de suas atribuições, tendo em vista a Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004; a Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, em sua atual redação; a Portaria Normativa nº 8, de 26 de abril de 2017, e considerando as definições estabelecidas pela Comissão Assessora de Área de Letras-Inglês, nomeada pela Portaria nº 103, de 9 de fevereiro de 2017, resolve: 

Art. 1º O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem como objetivo geral avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para atuação profissional e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento. 

Art. 2º A prova do Enade 2017 será constituída pelo componente de Formação Geral, comum a todas as áreas, e pelo componente específico de cada área. Parágrafo único. O concluinte terá 04 (quatro) horas para resolver as questões de Formação Geral e do componente específico. 

Art. 3º As diretrizes para o componente de Formação Geral são publicadas em Portaria específica. Parágrafo único. A prova do Enade 2017 terá, no componente de Formação Geral, 10 (dez) questões, sendo 02 (duas) discursivas e 08 (oito) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de caso. 

Art. 4º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Inglês - Licenciatura, terá como subsídio as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Letras, Resolução CNE/CES n° 18, de 13 de março de 2002, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, Resolução CNE/CP n° 1, de 18 de fevereiro de 2002, as normativas associadas às Diretrizes Curriculares Nacionais e a legislação profissional. 

§1º A prova do Enade 2017 terá, no componente específico da área de Letras Inglês - Licenciatura, 30 (trinta) questões, sendo 03 (três) discursivas e 27 (vinte e sete) de múltipla escolha, envolvendo situações-problema e estudos de caso. 

§2º As provas do Enade 2017, para as áreas que conferem diploma de Licenciatura, terão, em seu componente específico, 05 (cinco) questões de múltipla escolha referenciadas pela Portaria Enade 2017 da área de Pedagogia. 

Art. 5° A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Inglês - Licenciatura, tomará como referência do perfil do concluinte as seguintes características:


I. criativo e propositivo nos processos de ensino-aprendizagem da língua inglesa e das literaturas em língua inglesa em seus diversos contextos; 

II. empático, colaborativo e cooperativo em trabalhos em equipe e interdisciplinares; 

III. reflexivo e crítico sobre os usos das linguagens e seus desdobramentos nas práticas cotidianas; 

IV. sensível e atento à diversidade social e linguística nos variados espaços de construção de sentidos, nas diferentes práticas sociais; 

V. autônomo, autorreflexivo e proativo na sua atuação científica e profissional; 

VI. ético e comprometido com a educação, com o desenvolvimento sustentável da sociedade e com a promoção da cidadania; 

VII. comprometido com sua formação continuada, à luz das inovações científicas e tecnológicas. 

Art. 6° A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Inglês - Licenciatura, avaliará se o concluinte desenvolveu, no processo de formação, competências para: 

I. ler e produzir textos orais e escritos em diversos contextos sócio-histórico culturais, em diversos gêneros na língua inglesa; 

II. avaliar, elaborar e aplicar materiais didáticos e propostas metodológicas de ensino-aprendizagem da língua inglesa e suas literaturas em diversos contextos; 

III. elaborar e aplicar diversos instrumentos de avaliação da aprendizagem da língua inglesa e suas literaturas em seus diversos contextos; 

IV. avaliar e implementar criticamente as diretrizes curriculares para o ensino de língua inglesa na Educação Básica; 

V. analisar e empregar diversas tecnologias de informação e comunicação na prática profissional; 

VI. investigar cientificamente processos de usos e aprendizagens da língua inglesa e suas literaturas em diferentes contextos, com vistas, sobretudo, à reflexão e à mudança da prática profissional. 

Art. 7º A prova do Enade 2017, no componente específico da área de Letras Inglês - Licenciatura, tomará como referencial os conteúdos que contemplam: 

I. Processos históricos de formação da língua inglesa; 

II. Aspectos fonológicos, morfossintáticos e léxico-gramaticais da língua inglesa; 

III. Aspectos pragmático-discursivos da língua inglesa; 

IV. Processos de leitura e produção de textos na língua inglesa; 

V. Gêneros discursivos e textuais na língua inglesa em diferentes modalidades; 

VI. Diversidade linguística do inglês e seus aspectos geopolíticos; 

VII. Literatura, cultura e diversidade em língua inglesa; 

VIII. Interfaces das literaturas em língua inglesa com outras artes e a mídia; 

IX. Correntes teóricas e modalidades de análise do texto literário em língua inglesa; 

X. Conceitos de cânone literário nas literaturas em língua inglesa; 

XI. Períodos e gêneros literários nas literaturas em língua inglesa;

 XII. Literaturas em língua inglesa em perspectiva interdisciplinar; 

XIII. Concepções de linguagem, língua, texto e discurso; 

XIV. Teorias de aquisição e de aprendizagem de língua inglesa; 

XV. Teorias, métodos e abordagens de ensino de língua inglesa e suas respectivas literaturas na Educação Básica; 

XVI. Tecnologias da informação e da comunicação no ensino-aprendizagem de língua inglesa e suas respectivas literaturas na Educação Básica; 

XVII. Processos avaliativos no ensino-aprendizagem de língua inglesa e suas respectivas literaturas na Educação Básica; 

XVIII. Métodos de investigação e pesquisa na área de língua inglesa e suas literaturas em seus diversos contextos.